07 maio 2008

 

Na solidão dos cem anos


Acho interessante quando um escritor mantém sua originalidade e dela sabe usufruir. Percebo isto em Gabriel Garcia Márquez, pois estou enfurnado nas primeiras páginas de Cem anos de solidão. (Tá bom, não precisam me apedrejar, eu e minha velha mania de comentar livros antes mesmo de terminar de lê-los.) Confesso que muitas passagens/trechos deste livro me cativaram e até mesmo me surpreenderam.

Ao ouvir, vez por outra, o nome desse escritor colombiano, admito que não me senti ao menos atraído por ele (e sobre seu sobrenome, que diria?). Porém, como se diz “deu a louca!” Resolvi encarar, por curiosidade mesmo, a leitura de algum de seus livros. Já havia lido algo sobre essa centena de anos solitários. Por que não lê-los? Questionei-me. Decidido, resolvi fazê-lo.

Estou curtindo a leitura. Linguagem boa. Gabriel soube domar a prosa fantástica sem se derramar ao discurso frouxo ao qual todo escritor que adere ao fantástico incorre. Bem, como eu não poderia deixar de partilhar com os leitores destas minhas Linhas Desassossegadas, transcreverei um fragmento que achei muito bem escrito, quando a personagem Rebeca se esbalda em seu hábito de comer terra:


Nas tardes de chuva, bordando com um grupo de amigas na varanda das begônias, perdia o fio da conversa e uma lágrima de saudade lhe salgava o céu da boca quando via as faixas de terra úmida e os montículos de barro construídos pelas minhocas no jardim. Estes prazeres secretos, vencidos em outros tempos pelas laranjas com ruibarbo, irromperam num desejo irreprimível quando começou a chorar. Voltou a comer terra. Da primeira vez, fê-lo quase que por curiosidade, certa de que o gosto ruim seria o melhor remédio contra a tentação. E, com efeito, não pôde suportar a terra na boca. Mas insistiu, vencida pela ânsia crescente, e pouco a pouco foi satisfazendo o apetite ancestral, o gosto pelos minerais primários, a satisfação sem par do alimento original.


Comments:
Eu tenho um certo preconceito com livros brasileiros, não sei, acho que alguns autores floreiam demais as coisas que poderiam ser mais simples. Mas valeu a dica do livro, eu devo ter lido algum resumo na época de escola...
Beijos.
 
Wagner, poetamigo: vi seu comentário no meu blog acerca do meu amor pela escrita do Chico, o Canindé; pois é menino, a gente escreve o que o coração manda, mas sobretudo o que a razão exige. Obrigada pela atenção e parabéns pelo comentário que vc faz do livro Cem anos de solidão do nosso Garcia Marquez; este livro acompanha a minha vida há trezentos anos, tanto assim que extrai dele mais um nome para chamar o meu filho: Fabiano (de Vidas Secas, do velho Graça) e Jose Arcadio (de Garcia Marquez), ou seja: Fabiano Jose Arcadio. Deu um nome bonito, né? Abraços mil, Graça Graúna
 
olá td bem?
estou com um pouco de pressa entao nao lerei seu texto agora, vim para responder sobre seu coment no meu blog...

conflitos na marca de minha escrita?? hehe Bem provavel que sim, conflitos me fazem refletir e refletir me faz crescer e crescer é tudo que eu quero...

beijos
 
Gabriel é o maior escritor vivo
 
adorei seu blog.
quando der passa no meu ?
 
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