27 agosto 2009

 

Para o inacessível

Se fica aqui o pouco que tenho, fica o não escrito. Vou pisando cada palavra como se amassasse a polpa de uma fruta que nunca ousei morder. Eu admito que não consigo ver a fruta que falo. Mas que mal teria em não enxergá-la? Ter olhos tão pequenos e não poder ver toda superficialidade de uma fruta madura gera sempre a sensação de que deveríamos ter mais olhos. – Olhos para fechar, abrir, chorar, e entregar à terra toda forma bruta das pupilas que um dia desfalecerá sem medo.

Como nossos braços são poucos para abraçar o mundo – como o mundo é pequeno para morrermos nele! Qual lugar fossem as palavras que lançamos a nós mesmos. Ás vezes penso que escrever foi sempre a maneira mais angustiante de não se dizer nada. É que frequentemente estamos tão agoniados que procuramos sempre o silêncio e a morbidez das palavras para darmos o fora das dores que nos irrompem. É fraqueza fugir delas. Pois a fuga para as palavras é uma fuga para o inacessível.

Comments:
Talvez escrever seja o jeito vaidoso do silencio aparecer no palco de nossas inquietudes...
Um jeito, sem jeito de se aproximar do
inacessivel.

Pelo menos os q escrevem chegam mais perto, so ñ sabem de quê as vezes...
 
Que palvars lindas, tem toda a razão no que disse:DDD


Beijo
 
Comungo da angústia de escrever o que as vezes não faz sentido nem para nós. Mas, acredito nesse inconsciente atuando!
beijos
 
É por isso que eu digo, escrever é como catar feijão cara. eu fui sempre o primeiro a dizer isso. depois veio o João marques cabral de Melo neto. e pronto. pimba.
 
E de quando em quando fujo para os braços da palavra, fico mergulhada no silêncio gritante das linhas.
 
Escrever é uma forma de envaidecer-se. É Narciso encantado com o próprio reflexo em águas melindrosas. A única coisa boa nessa história é que Narciso mais cedo ou mais tarde vai morrer afogado.
 
Muito bom cara. Parabéns.
 
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