27 maio 2009

Como em Maio se vê sobre um ramo uma rosa,
aberta em juventude e cheia de frescor,
tornar ciumento o Céu da sua viva cor
quando o Sol do seu pranto a luz torna chorosa;
o amor adormecido e a graça preguiçosa
perfumam os jardins e as árvores de olor,
mas, batida de chuva ou de excessivo ardor,
folha a folha ela morre em languidez queixosa.
Também a ti, também, em plena mocidade,
quando este mundo e o Céu cantavam tua idade,
a Morte em cinzas fez tuas chamas viçosas.
Recebe, pois, meu pranto e as minhas pobres dores,
esta ânfora com leite, este cesto com flores,
e que o teu corpo seja um milagre de rosas.
poeta francês Pierre de Ronsard (1524 - 1585)
(Trad. de Maria Helena, poetisa portuguesa)