29 outubro 2008

 


Pintura de Tarsila do Amaral


ESTAMOS, MEU BEM, POR UM TRIZ?

Dias atrás eu já havia refletido se era possível crer na idéia de que a Literatura poderia mudar o mundo. De antemão me deparei com a questão: a Literatura foi feita para mudar algo além de nós mesmos? Se ela pode mudar, ela deve mudar o quê? Lógico, eu já poderia resolver essa parada com uma das frases do Mário Quintana: “Os livros não mudam o mundo. Quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas”. Porém acredito que encerrar com isto seria pouco para a discussão larga que questões como estas podem apresentar. Acho que a Literatura veio não para dar respostas, mas sim para nos ajudar a construir respostas, quando possível. A arte literária nega qualquer “dois e dois são quatro”, mesmo considerando que a visão que se tem sobre essa arte hoje é completamente diferente, por exemplo, da visão que se tinha sobre ela no século XIX. Hoje a Literatura, particularmente no Brasil, é relegada a algo excêntrico e esdrúxulo. Por isso penso que embarcar na Literatura – pelo menos nessa época em que o capitalismo nos impele ao porcarismo consumista – é “nadar contra a corrente só pra exercitar.” A Literatura nasceu para provocar a nossa vaidade. Para rejuvenescer os idosos, para envelhecer os jovens. Tudo isso: escrever, ler, interpretar, compreender textos, etc., são coisas que surgiram para desordenar a vida do indivíduo. Para mostrar que é possível haver uma ponte por entre a sanidade e a loucura. Porque os próprios estudos freudianos nos mostram que o ato da escrita nos faz largar mão da realidade no momento do exercício da escrita: é como se fossemos acometidos por uma espécie de surto mental que nos deixa na condição de “abilolados”. A atividade literária nos propõe acordar para o que está inerte. Mudo. Por outro lado, faz com que façamos adormecer o que há de mais abstrato no homem: a vida. Acho que isto basta, vou dar um cochilo, “pra o dia nascer feliz”. Mas vamos todos acordar e vamos mesmo dormir “pra o dia nascer feliz, ah, essa é a vida que eu quis”. “O mundo inteiro acordar e a gente dormir”.

Comments:
parabéns pelo seu seu pensamento, o mesmo nos poe a pençar as caracteristicas de uma grande obra literaria como uma carlos drumond de andrade, é esatamente essas coisas que mim orgulha de ter vc como eu amigo...
 
Parabéns, seu pesamento nos leva a refletir e a rever a questão de literatura em nossa vida, tal vez vc conciga algundia um de nossos maiores escritores, é por isso que eu mim gorgulho de ter vc com meu amigo...
 
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