12 setembro 2008

 
Pintura de Pablo Picasso

Ensino da língua: importância x compartimentalização

É certo que – mesmo considerando alguns estudos avançados acerca da prática pedagógica voltada para o ensino da língua – ainda é perceptível, no atual cenário da educação do Brasil, algumas deficiências no trato com o ensino da língua materna. Primeiro, porque muitos professores de Língua Portuguesa não despertaram para importância a qual sua disciplina tem. Depois, porque uma quantidade arrebatadora destes mesmos professores trabalha a língua materna fragmentando-a. Ou seja, é criado um bloco extremamente compartimentalizado, que ergue muros entre a Produção textual, a Análise lingüística e a Literatura.

Sabemos que são poucos os âmbitos escolares que, de fato, se preocupam em reconhecer, pensar e analisar o desenvolvimento da habilidade e competência comunicativa de seus alunos. Talvez não façam por, entre outros, não entenderem a dimensão que estes podem propiciar para o alargamento social do educando. Por ora, vale ressaltar que é a escola quem lança, ou pelo menos deveria lançar, as bases da formação do indivíduo. Cabe, pois, aos professores despertarem para a responsabilidade que têm dentro desse processo educativo-transformador.

Por outro lado, a compartimentalização do ensino da língua (a qual muitos professores aderem) tem extraído todo o dinamismo e as formas lúdicas de se estudar a língua materna, uma vez que os professores, em sua maioria, executam um projeto de ensino lingüístico que acaba determinando irredutíveis limites, por exemplo, entre um texto e seus elementos constitutivos, ou a elaboração de um texto e suas condições de produção, ou, ainda, um verbo e seus diversos significados.

Diante disso, percebemos que, mais do que pensar a prática voltada para o ensino da língua, devemos pensar na significação que o domínio das competências e habilidades comunicativas podem causar na vida e no cotidiano do indivíduo, haja vista que este mesmo domínio é uma das portas para a ascensão social, para o mundo da informação e para a cidadania.

Por fim, como escreveu Paulo Freire, em seu livro Pedagogia da Autonomia, “ensinar exige reflexão”. E é refletindo a cada dia a prática do ensino que, por excelência, perceberemos o quão é salutar pensar num ensino da língua materna que nos faça intervir no meio em que estamos inseridos e, ao mesmo tempo, inserindo outros.

Comments:
Acho que a compartimentalização é uma constante na proposta educacional generalizada em nosso país. Sou professora universitária e vejo, também na minha área de conhecimento essa marca.
Vamos refletir :)
Bjs
 
ae meu véio, um tema bem interessante, abrass e obrigado pela visita
 
Olá...
Texto interessante, conhecer mais a respeito de nossa língua materna nos proporciona maior multiplicidade de comprensão a respeito da vida, do comportamento social...isso é mais que a intensão de se querer atingir ascensão social, mas uma forma de amadurecimento, que se inicia nas primeiras leituras e não finda nunca...
Justo seria se toda consciência da língua nos tornasse mais sábios e permitisse que nossas opiniões ingênuas ou racionais a respeito do mundo pudessem ter melhor influência, mas sabemos que, o acesso a educação de qualidade é restrito a uma pequena porcentagem da população.

:*
 
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