17 setembro 2008

 

Pintura da Caravaggio



CORAÇÃO X MORTE


A morte mais justa é quando se morre do coração. Ele pára, diz que não quer mais e pronto: o corpo acata. É uma morte sincera. Sem fingimento. Quando se morre de algum problema cardíaco parece que se morre como uma bolha de sabão flutuando no vento: se morre leve, sem se ver, com conforto, sem roubar atenção de ninguém. Paradoxalmente falo isso, é óbvio, sem ter tido a experiência da morte. Mas sei que a morte não tem muito segredo não. A morte é só atravessar a rua que dá para uma outra, desconhecida. Morrer é brincar de se esconder sem sair do esconderijo, mesmo após o término da brincadeira. Daí, eu achar que nós, meros mortais, devemos dar alguma contribuição à vida. Mesmo sabendo que às vezes ela é ingrata, cruel. Porque a mesma vida que nos dá, nos rouba o coração, nos toma ele, ou pelo menos faz com que ele se negue a bater a hora que quiser. Penso que o coração é uma pilha, um troço que não pensa, que não sente cheiro de nada, nem tem sono à noite. O sono do coração é a morte, como a insônia é a vida dos que estão vivos.


Comments:
A insonia é a vida... Muito chic!
*__*
 
Adorei o post..
acho que a morte de coração é a única 'justa' neste mundo.
x)
beijinhos!
 
"O sono do coração é a morte, como a insônia é a vida dos que estão vivos. "
TÃO BELO!
Vivo em minha insônia!
E morro todos os dias um pouco do sono deste meu coração.

inté

Flô
 
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