15 agosto 2008

DOS DIREITOS DO LEITOR
“A leitura de mundo precede a leitura da palavra”. Com esta teoria, Paulo Freire revolucionou o pensamento moderno sobre questões voltadas para o trato com a leitura e com a alfabetização. Pois bem, Freire pregava que não há como, por exemplo, saber o que significa uma cadeira se antes o objeto não for apresentado, e daí em diante fazer com que este próprio objeto faça parte de uma convenção social. Ou seja, daí ficaria estabelecido que cadeira deveria ser algo que servisse de assento para uma pessoa e que tivesse “quatro pernas”, enfim... Porém, a idéia do autor de Pedagogia de Autonomia é que a palavra só ganha sentido depois de conhecido o objeto sobre o qual se fala. Portanto, todos lemos antes mesmo de termos uma prévia concepção da carga semântica que as palavras trazem. É uma prática a qual, inexoravelmente, todos fazemos. Mesmo quando não queremos. Por outro lado, a leitura da palavra é arbitrária. Quem nunca ouviu uma ou outra pessoa dizer “não quero ler este livro”, “não gosto de ler jornal”. Apesar de se esquivarem da leitura da palavra, não tendo consciência de que é através dela que as coisas ganham significado, as pessoas – a todo momento – vivem numa ponte de mão dupla com a palavra e com o mundo. Assim, o leitor tem direito a optar pelo seu modo de leitura, segundo suas próprias convicções. Inclusive a convicção de não se sentir leitor. Ultimamente, lendo o livro Como um Romance, do escritor francês Daniel Pennac, achei interessante, e ao mesmo tempo polêmica, a lista que este escritor traça sobre alguns direitos imprescindíveis do leitor. São estes: o direito de não ler, o direito de pular páginas, o direito de não terminar um livro, o direito de reler, o direito de ler qualquer coisa, o direito ao bovarismo (doença textualmente transmissível), o direito de ler em qualquer lugar, o direito de ler uma frase aqui e outra ali, o direito de ler em voz alta e o direito de calar. Mesmo diante disso, sou do time dos que pensam que, mesmo não lendo, estamos lendo. Lemos o tempo todo. Ininterruptamente. A palavra e o mundo precedem o homem. Somos apenas a continuidade do verbo que se torna objeto. Indistintamente.
hahaha
eu amo ler amo mesmo. eu leio de tudo!
As vezes eu leio até as faixas penduradas quando não tenho nenhum livro em mãos!
PARA DE ME ASSUSTAR HAHA NÃO TEM NENHUM BARULHO NÃO TÁ!
Ler é é embarcar em grandes viagem...
Amei: "Viver, antes de mais nada, é sempre um preencher a parte que nos é vazia".(Wagner Marques)
Bjinho no coração.
Aninha.
Tb estudei um pouco de Paulo Freire...
Achei seu blog interessante!
At�
Fico grato pela sua visita, cara! Abraços!
Sujiro "A poética do Espaço" por Gaston Bachelard.
Sou Cris Braga.
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