16 junho 2008

 

ESPELHABISMOS

É como enxergar tua mão enfiada num tronco, aberta. Dedos roçando a raiz. E olhar em teus olhos é sempre como aceitar ver um espelho enterrado na areia, ver na sombra a luz que este espelho entrega. É como presenciar um encontro entre a sede e a água, o sangue e a veia. Um pouco da ardência que fica morna, entremeada com a busca do que se vai e a eternidade do que fica, porque uma parte nossa é o que nos foge, e a outra o que fica da gente no outro. Desisto chocar meus olhos a luz deste espelho. Tem um pouco de dor nisso. É sempre um abismo, me entregar aos teus olhos, que cegam os meus, enterrados na areia.


Comments:
' É sempre um abismo, me entregar aos teus olhos, que cegam os meus, enterrados na areia. '


muito lindo isso...
ai que lindo.. to até agora paradona nisso..
 
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