12 maio 2008

 

Coisas sem volume ou tamanho de livro

É insuportável ter que admitir que pessoas que convivem comigo há tanto tempo não conhecem bem meus costumes, meus gostos e, sobretudo, minhas paixões. Antes de mais nada, quero alertar que não sou mal agradecido. No entanto, ontem, no dia do meu aniversário, ninguém da minha família me deu um livro. Ora, não entendi bem. Todos sabem que vivo mais pelos livros do que por mim próprio. Todos sabem que preciso mais de livros do que o próprio ar, da própria água, do que minha própria existência. Recebi presentes simbólicos que aqui não quero tratá-los. Trato aqui da minha indignação por não ter ganhado livros. Diante disso, ocorreu algo de engraçado, hilário mesmo. As pessoas vinham me entregar os presentes e eu sequer olhava para os rostos destas pessoas. Para onde eu olhava? Ah, lógico que para o formato dos presentes, para ver se o volume ou tamanho se aproximavam, ou pelo menos eram compatíveis, com os de um livro. Decepcionava-me de longe. Não eram. Mas como nessas situações sempre se tem que obedecer e levar em conta a boa regra social do “pelo-menos-lembrou-de-mim”, assim tive que o fazer. “Agradecido”, dizia com o som saindo entre os dentes. Disfarçava. Abraços e beijinhos de “Feliz aniversário”. Fingia que estava tudo bem, que o presente então recebido tinha a equivalência da importância que um livro tem pra mim. Olhando por outro ângulo, talvez eu até esteja exagerando. Quem sabe... Porém, se eu tivesse ganhado ao menos um livro, um livrinho que fosse, eu estivesse menos indignado com o acontecido. Mas tudo bem, a vida segue. Parafraseando Drummond: hoje não se ganha livro, amanhã se ganha, a vida é isso mesmo meu filho. Sempre.


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