15 novembro 2007

 

Trecho de um conto meu: “Das coisas que se solidificam”


(...) não que fosse uma palavra sólida. Conquanto o rastro de suas sílabas se apregoava na superfície da folha inerte. Não era certo dizer que havia cores no vocábulo. Era incerto afirmar que havia tonicidade do que pouco era dito nas linhas avulsas. Havia um pouco de dor nas palavras que não ousavam se entremear àquelas linhas francas. Há sempre palavras que se escondem em linhas que externam algo de franco. E era nessa sensação de alvura que a folha se deitava na espessura da mesa. Não se sabia se, de fato, o que devia se sobrepor deveria ser o barulho pela causa da ausência de sons povoarem a estanque escrivaninha. Era de todo, ruídos. Pensando bem, ruídos não. Ruídos. Ah, de fato, eram ruídos sim. Sim, porque rastros nos confundem. Toda confusão merece uma palavra: silencio. Silêncio a dor de que fica. Silêncio, palavra que se solidifica. (...)

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