17 junho 2007

 

O AMOR NASCE DO SUSTO


FORMA DE CASTIGO

É um pecado acreditar que o amor é um animal que se adestra. (que aqui se considere pecado como tudo que afasta Deus do homem!). O amor aceita tudo, menos regra. O amor é contradição. A atitude de amar deve ser uma atitude de se mal-amar. Um despojar-se mesmo. O amor não nos cobra nada senão trilhas perigosas. Ele deseja sempre um pé nosso infalso no abismo dos sentimentos. O amor foge a normalidades, foge ao beijo que se pensa dar, foge aos fuxicos ao pé-do-ouvido, foge à mão desesperada em noite fria; foge até mesmo à nudez do corpo. Amar é fugir dos sentimentos, pois é um ir além dos próprios sentimentos. O amor é um estado, e nunca poderá ser outra coisa. É um estado em que as coisas se desordenam e não buscam razão nenhuma para que venham a se ordenar. O amor exige desordem. Caos. Desalinho. Arruaça. Exige, antes de tudo, necessidade da sensação de desgraça. Uma desgraça que nos afaste da imbecilidade de sentir com frieza a outra pessoa. Pois, o amor exige que estejamos sempre em chamas diante da outra pessoa. O amor exige que estejamos sempre inconformados com a fumaça que salta de nossa pele, com o gozo que toca nossa lucidez, com a lágrima dormente que cisca em nossos olhos.

Acredito não haver forma melhor de se aproximar de Deus do que levantar a saia do desejo e meter a língua. Deus perdoa os ousados. A ousadia é a sobremesa do amor. A refeição é a entrega ao outro. Deve-se pecar para fugir do marasmo. O amor não aceita marasmo. Mas pecar no amor é a primeira chance de se encontrar com Deus. Deus se esconde dos que não pecam. (Ele sempre deixou isso bem claro!) O amor é um animalzinho que sempre andou ao lado de Deus, sem coleiras, com a pata ferida e com os olhos esbugalhados, querendo sempre encontrar a vira-lata mais vadia que puder. Amar é querer encontrar qualquer coisa que nos dê agonia. Algo que roce nosso pescoço qual um estrangulador de Pastor-alemão. O amor é aquela corda no pescoço que temos sempre medo de apertar. É um apertar de corpos numa garoa fria de inverno. O amor é um inverno que dissipa qualquer possibilidade de acontecer sem ferir as flores. Ele sempre se faz de pétalas para achar a melhor maneira de roubar a cena do jardim. Amar é a busca de desobrigar-se do peso de não ser amado. Amar é uma busca mascarada de castigar-se. É sempre uma punição imposta por si mesmo. Amar é pecar em comunhão com Deus. É pedir um castigo a Deus. O amor foi a forma mais discreta que Deus encontrou para nos castigar.

Comments:
DE QUEM?


O homem tinha esticado o braço

Para se espreguiçar gostosamente

E levou um tiro.

hehe

um grande poema.

na moral, tu fala muito metodicamente sobre o amor, como se tivesse ditando leis. porra, o amor agora é o que tu diz é kkkkkkk

deixa que FABRO fala melhor vei.
vai rezar ou comer tua BATATA KKKKKKK

te amo minha batatinha frita
 
Aplausos!
O amor não dita regras, ele as inventa!
Beijos!
 
Wagner,
que bom que tu gosta mesmo das minhas palavras.
E amor, amor é uma forma gostosa de sofrer
mas eu gosto.
quem não gosta né?

ah, assim eu fico mais amadora.
:D
 
ousadia total esse teu escrito
adorei


" O que me impressiona, à vista de um macaco, não é que ele tenha sido nosso passado: é este pressentimento de que ele venha a ser nosso futuro."
(Mário Quintana)

Bjos da -=Þëqµëñä Þö놡zä=- !!!
 
Wagner, não fique com raiva de mim. Vou sempre vir aqui para lhe ler. As vezes não entendo ou até não concordo mas preciso respeitar a visão, a opinião do outro. Tenho mais tempo de vida que vc e certamente isso influi na minha leitura, no meu entendimento.
Liliane de Paula
 
Rapaz eu já estou mais do que castigada por Deus. mas assim, oxala que ele me mande mais castigos assim! Beijos meu queridoe uma ótima semana
 
Gostei,,,esta muito giro;)

Bj Lua
 
amar é estar em estado de alerta...pro bem e pro mal :(
lindo dia
beijossss
 
O amor dá dor de cabeça :-)
 
se Deus perdoa os ousados então já posso dormir tranquila, rsrsrs*

beijos, dear

MM

ps: bom texto!!!!!
 
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