09 fevereiro 2007

 

COISA DO DIABO

“Essas coisas são boas
e úteis para os homens”
(Tito 3,8)

Meus dedos ficavam deslizando sobre a mesa. Soltos. Um pouco trêmulos. Já havia baixado a vista duas ou três vezes. No entanto, o que existia de mais vil em meu instinto me induzia a olhar o hastear da micro-saia da garçonete. Eu não tinha nem 15 anos completos, nem tampouco o costume de andar em bares - quanto mais agüentar uma mulher bem empinada e de pernas bem feitas passando a todo instante em minha frente, afrouxando o sorriso. Percebia o coração acelerar ao olhar o remexido da saia vermelha pra lá e pra cá, deixando por uma brecha a calcinha quase exposta. Vinham-me à mente os chavões de minha mãe: “essas coisas Deus castiga”, “é coisa do diabo”, “quando aparecer essas coisas desvie a vista”, etc. Não podia negar o desejo que tinha de enfiar a minha mão por baixo daquela saia e só tirá-la quando a vontade fosse embora. “Todo homem deseja essas coisas!”, alertava-me um colega ao lado. Vinham-me à alma as máximas de minha mãe... Começava pensar indignado:

- Mas com tanta gente desempregada, passando fome, doente, com frio, com sede, e tal! Deus vai deixar de olhar por esse povo pra vir a me castigar, só porque eu penso em meter a minha mão um pouquinho dentro da calcinha da garçonete?! – Inconformava-me com isto. Não havia sentido.

Tomava, então, mais dois ou três goles apressados de wisky; como que se quisesse extinguir o desejo de socar minha mão no lugar que não saía da minha cabeça. Goles inúteis. Aumentava mais ainda o meu apetite carnal. Tara. Outros homens do bar disputavam comigo - sem que um percebesse o outro - o fitar dos pés até a cintura da garçonete. Excitava-me a goles largos. Também fumava! (Pensava ser um modo de afirmar minha macheza no meio dos outros, que aparentemente se achavam mais do que eu, pois se sentiam mais homens por terem as barbas mais grossas.) Contudo, eu acabava por ficar em meu canto. Embevecido. Dividido em pensamentos, ou melhor, em desejos. E se Deus me castigasse? Mesmo assim eu queria passar a mão na garçonete!!! Acabrunhava-me. Estava sendo vigiado, lá de cima alguém me espreitava. Era “coisa do diabo” mesmo.

Comments:
Obrigada pela visita moço!
 
Se há uma coisa que certamente é do diabo, é a ameaça!

Nada mais diabólico que criar fantasias e idéias mutiladoras...

...e fica assim, diabólico por diabólico - restam a vontade e muitas vezes a culpa.

=*

 
Wagner, lindo esse achado arquelógico. Queria ser encontrada assim. Grudada no meu amor.
Liliane de Paula
 
Uma boa leitura.
Escreves bem, parabéns.

Bisous!
 
Tem bom gosto o danado do diabo, né não?
Menino! tô encantada com tanta letra bonita bailando formando frases fazendo fila pro texto maravilhoso,parabéns!
linda noite
beijosssssssssss
 
adorei esse.
 
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