08 janeiro 2007

 
NO TRONO DE UM APARTAMENTO


Que merda: Está em pleno domingo à noite querendo escrever algo (nem que seja pra espantar a monotonia de início de semana) e de repente as palavras [a custo de suas durezas] lhe tornar intolerante consigo mesmo! Parece coisa até de rebelde sem causa, ou de adolescente mal resolvido. Escutei a pouco Ariano Suassuna dizer - em entrevista ao Fantástico - que “a literatura, como as outras artes, é um protesto contra a morte”. Acho que isso me convence a estar protestando, não só pela morte como fim da vida, mas também pela morte que a literatura produz no escritor quando sequer uma linha lhe roça o juízo. Sim, porque isso causa uma sensação de mortandade em qualquer escritor, na medida em que o iguala ao resto da raça.


Embora essa espécie de ressaca, gerada no domingo à noite, que embriaga qualquer assalariado ou preguiçoso, também me deixe inerte, procuro na escrita a maneira mais discreta de fugir dessa insipidez. Fuga que, obviamente, dura no máximo uma semana apenas. Nada mais que do que isso. Ora, não que a minha vida esteja enfadonha, decadente; não é nada disso, é que às vezes me é necessário não criar hábitos, rotinas. Porém a intolerância que me invade, não chega a me arruinar de todo; logo, procurei não me agoniar porque as palavras, hoje, não me chegaram fáceis; mas, PARO por aqui, já perto de ser vencido pelo sono - “com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar”. Basta.

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