16 dezembro 2006

 

MERECIDOS DIAS DE EXÍLIO

“tempo para atirar pedras,
e tempo para ajuntá-las;
tempo para dar abraços,
e tempo para apartar-se."
(ecle 3,5)


Enfim, acho que vou ter a paz que mereço. Férias. Vou me exilar uns dias em Maceió. Após um ano de corre-corre, necessito recuperar o que me foi gasto física e mentalmente nessa temporada. Esquecer de tudo um pouco. Emburacar-me em mim mesmo. Ceder mais espaço à Literatura em minha vida. Espaço que me foi quase extorquido ao longo do ano, à custa da atividade de Docente e de Universitário. Lógico que na Universidade me deparava sim com Literatura. Mas, a título de produção, a coisa meio que ficou truncada, peiada.

A verdade seja dita, na docência também trabalhei com Literatura: infantil. Muito boa experiência. Muitos conhecimentos adquiridos. Contudo, tempo (que é bom) para uma dedicação propriamente dita sobre minha própria obra: nada! Mas, como recuperar um tempo em que se deixou de ler ou escrever habitualmente?! Pensei um pouco nisso. Resposta simples: tendo a consciência de que viveu!

Não se deve tratar negativamente o “recuperar tempo”. Não precisa. Porém, nada se perdeu para que pensemos em recuperar; pois o tempo foi vivido, e isso basta. Quem vive não precisa recuperar tempo. Essa é uma das percepções básicas que se deve ter sobre a vida. Pois a vida não foi ou vai ser. Lao-Tsé afirmava: “A Vida é”. Conhecer a utilidade do tempo em nossa vida é preciso. “Para tudo há um tempo”(ecle. 3,1). Entretanto, esses dias pretendo usufruir bem do descanso o qual faço jus. Aproveitar o tempo de descanso, apenas. Refugiar-me em outra cidade. “A vida precisa de pausas”, escreveu Drummond. Espero tirar proveito da pausa que preciso.

Maceió, aí irei eu! Faça-se meu desterro enquanto minguante durar esse tempo.

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