15 dezembro 2006

 

DESNUDAMENTO DE ESCRITOR


Escrever é um segredo. Bailarina dançando em uma caixinha sem música. Hoje, surpreendido ao ler meu blog, um amigo me falou que não sabia até que ponto saberia distinguir o escritor do sujeito-histórico, pois estavam se confundindo em meus escritos. Disse que se espantou porque - apenas ele sabe o que tenho ultimamente vivido – me mostro facilmente, sem que as pessoas saibam que escrevo o que vivo. Ou seja, a ficção se perde em meio a uma espécie de confissão. Especificamente nos contos.

A literatura se aproveita disso mesmo: a ignorância do leitor frente ao que é produzido a partir das vivências de quem escreve. E ai é que se pode considerar a significativa distância entre o escritor e o leitor. Distância essa que às vezes não quer dizer necessariamente nada. Às vezes tudo. Pois nem mesmo a Crítica desprezou, de todo, o mundo pessoal do escritor ou poeta a fim de penetrar com afeição em suas obras.

Escrever para mim tem sido hábito. Coisa rotineira. Oração. Encontro com Deus. Tem sido a melhor forma achada para responder coisas que a vida me interroga. Escrever tem se tornado a maneira mais fácil que achei para dar uma bofetada no mundo. Tirar um peso das costas. Pode parecer cafona isso. Mas escrever é libertar-se. Vestir nova roupa, ir a um baile a fantasia com traje de nudista. Ser invadido, desnudar-se.

Comments:
"É" (n seria E?) ai é que se pode considerar a significativa distância entre o escritor e o leitor

escrever é criar vaga-lumes
Hortta

bjs WAG
 
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