12 novembro 2006

 


WITNER, UM CAMINHO, UM LUGAR

“Não ter para onde ir é uma forma de sempre chegar”
(Fabrício Carpinejar)

Não se sabia se era a calçada que avançava. Ou crescia. Talvez fosse o corpo mesmo que estivesse diminuindo. Lixo sobre o chão ralo, palito de picolé, latinha de cerveja, vômito rente ao muro, embalagem de camisinha. Claro que o peso das pernas não se renderia a qualquer parada estratégica. Os passos seguiam. Lentos, mas seguiam. A quem?! Como sabê-lo? A própria voz, o soluço da própria alma, o pulsar de desejos distantes, conjugavam a maneira mais breve de ser atropelado pelo o que demais distante de si havia. Coisa distante como os braços de uma mãe que morre mesmo antes de amamentar. As mãos escorregavam vadias
pelas paredes sem reboco. O peso andava à tuna em suas pálpebras. Pois apenas seus olhos inertes eram que incutiam indiferença às coisas alheias. Escorregava a mão no bolso na

esperança que pelo menos algumas moedas lhe restasse. Não havia nada. Ficava mordido, como um bicho brabo preso, como um animal faminto fazendo de sua carniça roubada sua maior frustração. Aquela calçada lhe parecia um deserto, embora várias pessoas ocupasse espaços da mesma. A tarde estava morrendo. Vagarosa. Restava-lhe o caminho de volta. Tem caminho de volta quem não sabe onde está? Isso não era lícito perguntar. Retornar era preciso.

Talvez nem tanto. Estar ali bastava. (Qualquer lugar basta a quem caminha a esmo.) A calçada diminuía. E seu corpo se confundia em meio à bitucas, garrafas vazias, copos descartáveis, resto de esperma na parede, folhas secas, papéis rasgados. A noite desabrochava lentamente. No entanto, o caminho se fazia lugar - não mais que lugar - lugar apenas. Um lugar pouco, onde nunca se soube onde era.

Comments:
Senhor WM_22,por favor, uma coisa é sofrer a influência do velho Graça, outra é copiar,forçar uma imitação barata."esperma na parede", bem, tenho q admitir, q isto é bem a sua cara, "vomito", "esperma". veja q o André de castro sofreu essa influência, mas n fica "verborrojando", para usar uma palavra sua, de seu repertorio tão vasto, n é mesmo "vomito e esperma'.

isto é só um aviso de quem esteve em contato com grandes escritores.

tente a crítica literária, mas por favos, sem chamar quaquer coisinha de soneto. do contrario tente mesmo o jornalismo. "tente outra vez"
 
e n esqueça q de me trazer a revista continente ainda hoje.

bjs guinho


grato Hortta
 
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