09 novembro 2006

A NEO-METAMORFOSE
“Eu quero é viver num porão!” Exclamou com fúria um dos escritores de minha cidade. (Sobre a exclamativa desse escritor, o poeta André Luiz de Castro já escrevera). Não pense, leitor, que isso é chacota. Nivaldo Tenório afirma que quer se enfurnar num porão e que vai exigir apenas um buraco por onde entre incondicionalmente sua comida. Isso tudo à custa de sua reclusão e amancebo junto aos livros. Desequilíbrio mental, insanidade ou desvario? Não se sabe. O fato é que o autor de A Grande Torre quer se danar num buraco e somente ler. Ler como um desgraçado, como um infeliz que a todo custo estuda angustiado na véspera de uma recuperação final. Viver para a Literatura. Ler. Só e unicamente. É o que ele ambiciona.
Em seu texto sobre tal acontecimento, André suspeita ser um “surto de loucura”. No entanto, creio que todo e qualquer diagnóstico sentenciado, sobre este fato, é pouco. A coisa é delicada mesmo. Detalhe: querer “viver num porão” é apenas uma das “ações suspeitas” que o poeta menciona acerca do comportamento irregular de Nivaldo. Pois, ele teve sim outras atitudes esdrúxulas. Mas, externar a vontade de querer viver num porão, transcendeu qualquer forma de excentricidade: atitude Kafkiana. Em breve espero encontrar Nivaldo bem; não transformado em mofo nem rato, nem em barata ou qualquer outro inseto. Para daí poder tranqüilo dar continuidade a meu romance:
- Certa manhã ao ler livros que o deixou intranqüilo, Nivaldo Tenório encontrou-se em seu porão metamorfoseado num escritor presunçoso...
“Eu quero é viver num porão!” Exclamou com fúria um dos escritores de minha cidade. (Sobre a exclamativa desse escritor, o poeta André Luiz de Castro já escrevera). Não pense, leitor, que isso é chacota. Nivaldo Tenório afirma que quer se enfurnar num porão e que vai exigir apenas um buraco por onde entre incondicionalmente sua comida. Isso tudo à custa de sua reclusão e amancebo junto aos livros. Desequilíbrio mental, insanidade ou desvario? Não se sabe. O fato é que o autor de A Grande Torre quer se danar num buraco e somente ler. Ler como um desgraçado, como um infeliz que a todo custo estuda angustiado na véspera de uma recuperação final. Viver para a Literatura. Ler. Só e unicamente. É o que ele ambiciona.
Em seu texto sobre tal acontecimento, André suspeita ser um “surto de loucura”. No entanto, creio que todo e qualquer diagnóstico sentenciado, sobre este fato, é pouco. A coisa é delicada mesmo. Detalhe: querer “viver num porão” é apenas uma das “ações suspeitas” que o poeta menciona acerca do comportamento irregular de Nivaldo. Pois, ele teve sim outras atitudes esdrúxulas. Mas, externar a vontade de querer viver num porão, transcendeu qualquer forma de excentricidade: atitude Kafkiana. Em breve espero encontrar Nivaldo bem; não transformado em mofo nem rato, nem em barata ou qualquer outro inseto. Para daí poder tranqüilo dar continuidade a meu romance:
- Certa manhã ao ler livros que o deixou intranqüilo, Nivaldo Tenório encontrou-se em seu porão metamorfoseado num escritor presunçoso...
Comments:
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mas a idéia de se trancar no porão, a meu entender e pelo que conheço de Nivaldo, tem mais a ver com a produção, a entrega total a produção, do que, necessariamente, a leitura. Nivaldo é o maior leitor de Garanhuns, de modo que tempo para ler ele tem. Citou Kafka como metafora para a produção.
Aliás, todos nós estamos produzindo muito pouco.
bom mesmo é se importar com a qualidade. "A arte exige perfeição", já diria Baltazar Gracián.
Estarei esperando a revista sobre o Marcus accioly,
Grato: Hortta
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Aliás, todos nós estamos produzindo muito pouco.
bom mesmo é se importar com a qualidade. "A arte exige perfeição", já diria Baltazar Gracián.
Estarei esperando a revista sobre o Marcus accioly,
Grato: Hortta
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